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domingo, 11 de março de 2012

José


  
    JOSÉ
 
             E agora, José?
          A festa acabou,
          a luz apagou,
          o povo sumiu,
          a noite esfriou,
          e agora, José?
          e agora, você?
          você que é sem nome,
          que zomba dos outros,
          você que faz versos,
          que ama, protesta?
          e agora, José?
          Está sem mulher,
          está sem discurso,
          está sem carinho,
          já não pode beber,
          já não pode fumar,
          cuspir já não pode,
          a noite esfriou,
          o dia não veio,
          o bonde não veio,
          o riso não veio
          não veio a utopia
          e tudo acabou
          e tudo fugiu
          e tudo mofou,
          e agora, José?
          E agora, José?
          Sua doce palavra,
          seu instante de febre,
          sua gula e jejum,
          sua biblioteca,
          sua lavra de ouro,
          seu terno de vidro,
          sua incoerência,
          seu ódio - e agora?
          Com a chave na mão
          quer abrir a porta,
          não existe porta;
          quer morrer no mar,
          mas o mar secou;
          quer ir para Minas,
          Minas não há mais.
          José, e agora?
          Se você gritasse,
          se você gemesse,
          se você tocasse
          a valsa vienense,
          se você dormisse,
          se você cansasse,
          se você morresse...
          Mas você não morre,
          você é duro, José!
          Sozinho no escuro
          qual bicho-do-mato,
          sem teogonia,
          sem parede nua
          para se encostar,
          sem cavalo preto
          que fuja a galope,
          você marcha, José!
          José, para onde?
         
          Carlos Drummond de Andrade

domingo, 4 de março de 2012

Clarice


"Quando me entrego, me atiro. Mas quando recuo, não volto mais." 
 Clarice Lispector


domingo, 27 de fevereiro de 2011

sábado, 29 de janeiro de 2011

Manuel Bandeira

Vou-me Embora pra Pasárgada









Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei



Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive



E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada



Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar



E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.


Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

Manuel Bandeira: sua vida e sua obra estão em "Biografias".

Fonte: Releituras.com

sábado, 22 de janeiro de 2011

Maurits Cornelis Escher

Brasil - Cultura e desportos
Segunda, 25 Outubro 2010 12:30

PCO - O artista gráfico Maurits Cornelis Escher é autor de uma obra extremamente influente, que tem como mérito sua originalidade e sofisticação. Uma seleção de seus melhores trabalhos chegou agora ao Brasil, programados para serem expostos em três capitais.

A capital federal inaugurou na última semana uma exposição do artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher, um dos mestres do ilusionismo óptico a partir de desenhos. São ao todo 95 trabalhos presentes na mostra O Mundo Mágico de Escher, que busca revelar o que de melhor este artista produziu ao longo da vida.

A fama de suas obras precede a de seu nome, utilizadas em capas de livros, ilustrações gráficas, vinhetas, citadas em pinturas, referenciadas em filmes, seriados e desenhos animados.

Escher, nascido em 1872, iniciou sua obsessão pelo ilusionismo após uma viagem à Espanha durante a década de 1930, quando conheceu e ficou fascinado pela geometria dos mosaicos que haviam em um palácio árabe erguido em Alhambra. Esse foi o ponto de partida para o seu trabalho que, de composições geométricas puramente abstratas, ao longo de sua carreira, foram se tornando figurativas e cada vez mais sofisticadas, chegando a figuras arquitetônicas paradoxais cuja distorção é impossível de ser reproduzida tridimensionalmente.

Além das obras do artista holandês, entre desenhos, gravuras e pinturas, alguns trabalhos interativos foram elaborados especialmente para a mostra. Entre eles, destaca-se um quebra-cabeça gigante que procura demonstrar a maneira como o artista utilizava diversas imagens geométricas para criar seus trabalhos óticos.

Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, depois de Brasília a exposição passará ainda pelo Rio de Janeiro e São Paulo.


Fonte: Diarioliberdade.org







Fonte: Youtube



By Fabiano: Um grande mestre do ilusionismo, um grande talento!!! Tinha que ser holandês mesmo kkk!!! =D