Arte,cultura e diversos
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segunda-feira, 30 de abril de 2012
domingo, 11 de março de 2012
José
- JOSÉ
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 4 de março de 2012
domingo, 27 de fevereiro de 2011
sábado, 29 de janeiro de 2011
Manuel Bandeira
Vou-me Embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90
Manuel Bandeira: sua vida e sua obra estão em "Biografias".
Fonte: Releituras.com
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90
Manuel Bandeira: sua vida e sua obra estão em "Biografias".
Fonte: Releituras.com
sábado, 22 de janeiro de 2011
Maurits Cornelis Escher
Brasil - Cultura e desportos
Segunda, 25 Outubro 2010 12:30
PCO - O artista gráfico Maurits Cornelis Escher é autor de uma obra extremamente influente, que tem como mérito sua originalidade e sofisticação. Uma seleção de seus melhores trabalhos chegou agora ao Brasil, programados para serem expostos em três capitais.
A capital federal inaugurou na última semana uma exposição do artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher, um dos mestres do ilusionismo óptico a partir de desenhos. São ao todo 95 trabalhos presentes na mostra O Mundo Mágico de Escher, que busca revelar o que de melhor este artista produziu ao longo da vida.
A fama de suas obras precede a de seu nome, utilizadas em capas de livros, ilustrações gráficas, vinhetas, citadas em pinturas, referenciadas em filmes, seriados e desenhos animados.
Escher, nascido em 1872, iniciou sua obsessão pelo ilusionismo após uma viagem à Espanha durante a década de 1930, quando conheceu e ficou fascinado pela geometria dos mosaicos que haviam em um palácio árabe erguido em Alhambra. Esse foi o ponto de partida para o seu trabalho que, de composições geométricas puramente abstratas, ao longo de sua carreira, foram se tornando figurativas e cada vez mais sofisticadas, chegando a figuras arquitetônicas paradoxais cuja distorção é impossível de ser reproduzida tridimensionalmente.
Além das obras do artista holandês, entre desenhos, gravuras e pinturas, alguns trabalhos interativos foram elaborados especialmente para a mostra. Entre eles, destaca-se um quebra-cabeça gigante que procura demonstrar a maneira como o artista utilizava diversas imagens geométricas para criar seus trabalhos óticos.
Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, depois de Brasília a exposição passará ainda pelo Rio de Janeiro e São Paulo.
Fonte: Diarioliberdade.org
Fonte: Youtube
By Fabiano: Um grande mestre do ilusionismo, um grande talento!!! Tinha que ser holandês mesmo kkk!!! =D
Segunda, 25 Outubro 2010 12:30
PCO - O artista gráfico Maurits Cornelis Escher é autor de uma obra extremamente influente, que tem como mérito sua originalidade e sofisticação. Uma seleção de seus melhores trabalhos chegou agora ao Brasil, programados para serem expostos em três capitais.
A capital federal inaugurou na última semana uma exposição do artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher, um dos mestres do ilusionismo óptico a partir de desenhos. São ao todo 95 trabalhos presentes na mostra O Mundo Mágico de Escher, que busca revelar o que de melhor este artista produziu ao longo da vida.
A fama de suas obras precede a de seu nome, utilizadas em capas de livros, ilustrações gráficas, vinhetas, citadas em pinturas, referenciadas em filmes, seriados e desenhos animados.
Escher, nascido em 1872, iniciou sua obsessão pelo ilusionismo após uma viagem à Espanha durante a década de 1930, quando conheceu e ficou fascinado pela geometria dos mosaicos que haviam em um palácio árabe erguido em Alhambra. Esse foi o ponto de partida para o seu trabalho que, de composições geométricas puramente abstratas, ao longo de sua carreira, foram se tornando figurativas e cada vez mais sofisticadas, chegando a figuras arquitetônicas paradoxais cuja distorção é impossível de ser reproduzida tridimensionalmente.
Além das obras do artista holandês, entre desenhos, gravuras e pinturas, alguns trabalhos interativos foram elaborados especialmente para a mostra. Entre eles, destaca-se um quebra-cabeça gigante que procura demonstrar a maneira como o artista utilizava diversas imagens geométricas para criar seus trabalhos óticos.
Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, depois de Brasília a exposição passará ainda pelo Rio de Janeiro e São Paulo.
Fonte: Diarioliberdade.org
Fonte: Youtube
By Fabiano: Um grande mestre do ilusionismo, um grande talento!!! Tinha que ser holandês mesmo kkk!!! =D
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